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  • Cristina Porto

Retidão ou Resultado?


Tenho acompanhado alguns gestores e suas decisões no dia a dia e percebo que uma das grandes dores é decidir entre retidão e resultado. Certa vez li um artigo que falava sobre os tipos de colaboradores de uma organização e quero me deter em apenas um desses tipos para a reflexão de hoje: o colaborador que entrega os resultados, mas não está alinhado com os valores da sua empresa.

O que fazer com ele? Como lidar com ele? Como colocar na balança resultado e retidão? Números e alinhamento com valores e princípios orientadores?

Uma empresa não é uma organização sem fins lucrativos, na verdade, a grande maioria delas percorre, exatamente, o caminho oposto. Por essa razão, muito mais vezes que imaginamos, gestores estão frente ao impasse de situações e comportamentos em que precisam decidir por confrontar ou apaziguar. Enfrentar ou relevar.

Todos nós já convivemos com colegas, pares ou colaboradores que não compactuavam de nossos valores, de nosso senso de justiça e respeito e até mesmo de nossa ética e ficávamos nos perguntando “Por que ele ainda está aqui?”. Mas em algum momento você se colocou no lugar daquele gestor que precisa decidir sobre esse questionamento?

Não me entenda mal, não estou me colocando na posição de defensor do erro ou da falta de ética, estou apenas pontuando sobre como é mais fácil julgar do que decidir, especialmente quando temos visão de parte e não do todo.

Meu senso de justiça é muitas vezes aguçado demais e, costumo dizer que, por essa razão eu não poderia ser o líder de uma nação, um juiz ou alguém que tem o poder de decidir pelo destino de outro. Teria dificuldade de aceitar a falta de ética em detrimento do resultado e, quem sabe isso também não seria um risco financeiro para alguns tipos de organizações.

O fato é que esse tema é uma constante no dia a dia de grandes líderes, em organizações de todos os tamanhos e de toda natureza e, estou certa de que muitos de nós não conseguiríamos ou não gostaríamos de estar na pele desses tomadores de decisão.

Por outro lado, aproveitando essa lacuna de tempo, estão aqueles que conquistam, crescem e aparecem a qualquer custo, tentando driblar a atenção dos defensores da ética e da cultura e entregando resultados de curto prazo que, muito provavelmente, resultarão em um alto custo lá na frente.

Não sei se essa é uma temática com conclusões fáceis. O que sei é que não é nova e que vai estar presente na vida das organizações enquanto elas existirem. A expectativa é de que cada vez mais os líderes possam colocar a ética na frente do número, a retidão na frente dos resultados. De que cada vez mais os líderes possam usar o seu poder de decisão para reforçar valores, princípios e vínculos.

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