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  • Cristina Porto

Por que é tão raro encontrar um LÍDER?


Uma das coisas que me intriga e, na verdade, me preocupa é: por que é cada vez mais raro encontrarmos líderes? Estamos vivendo tempos muito difíceis e é nesses momentos de crise e dificuldade, que ficam mais evidentes caráteres, condutas e valores.


Naturalmente, temos pessoas ocupando cargos de gestão e conduzindo equipes. Gestores e chefes cumprindo seu protocolo de assinar, despachar, comandar, fazer discursos e tocar em frente. Mas não é disso que sinto falta. Penso que nossa carência é de GENTE. Exemplos positivos, alma, humanidade, compromisso, senso de civilidade e comunidade. Nossa carência é de respeito e de senso de justiça.


Quantos líderes você conheceu em sua caminhada e admirou? Quantos te ensinaram, orientaram, conduziram, te deixaram crescer e estiveram ao teu lado quando você errou, caiu e precisou de alguém com mais experiência? Quantos acreditaram em você? Quantos te prepararam para voar?

Costumo escutar de um amigo que deveria avaliar meu estilo de liderança pois estabeleço muito vínculo com minhas equipes. Que me envolvo demais e quando saio de algum projeto ou emprego, deixo minhas equipes “órfãs”, fazendo comparações com o novo gestor e não raras vezes, acabando por buscar outro trabalho.


E eu que achava que isso era um grande feito, um exemplo de liderança positiva: deixar uma marca no coração das pessoas que passaram na sua vida. Eu achava que estava fazendo o meu melhor e, sinto muito meu amigo se pareço intransigente, mas ainda acho.


Eu quero que minhas equipes sintam minha falta sim e adoraria que muito mais colaboradores por aí sentissem falta dos seus líderes, que tivessem orgulho de trabalhar para eles e alegria em crescer com eles. Eu queria MUITO MAIS “vínculo humano” (se é que essa expressão existe) nos ambientes de trabalho e como diz Brené Brown, muito mais vulnerabilidade e coragem por parte dos líderes, duas faces da mesma moeda.


Vulnerabilidade? Se você sorrir com sua equipe, eles vão abusar, se você chorar, eles não vão te respeitar e, se você ouvir, você vai perder tempo. Infelizmente, passa por aí o pensamento simplista nas nossas organizações. Eu posso pegar minha filha no colo e acolher seus medos, angústias e dores quando ela estiver mais insegura, mas também serei capaz de cobrar e exigir dela as posturas e comportamentos responsáveis adequados para sua idade. E, felizmente, como líder me permito ter a mesma conduta com minhas equipes.


Pense nisso gestor. Existe um ser humano atrás do crachá. Alguém que pensa, sente e olha para você como olha para um outro alguém que deveria estar ali para conduzir e dar exemplo. Considere a possibilidade de que as pessoas querem trabalhar com você e não para você e que vínculos conquistam o tão sonhado “pertencimento” que as empresas buscam desesperadamente em horas e horas de treinamento.

Precisamos, muito e com urgência, de líderes.
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