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  • Cristina Porto

Isso não vai dar certo.



De que maneira alguns gestores estão sobrevivendo ao momento atual com sua (in)capacidade de lidar com a mudança? Como estão liderando suas equipes em tempos de incerteza?

Como estão sobrevivendo os gestores que tratam suas equipes como subordinados, que lideram pelo medo e que ainda acreditam que bater cartão quatro vezes ao dia e estar no radar do seu olhar controlador significa ter o time na mão?

Como vão sobreviver esses gestores tendo que lidar com home office? Ah! Isso vai ser o fim da cartela de ansiolíticos e dos estoques de cafeína. Imagina ter colaboradores trabalhando à distância? Certo que não trabalham! Só enrolam! Isso é o fim da produtividade, é o fim do poder da palmatória, do olhar inquisitivo, do controle do café, das conversas de corredor e das idas ao banheiro. É o fim!

Isso é literalmente o fim de alguns gestores que devem estar deitando todas as noites pedindo para que esse tal Covid se afaste o mais breve possível, não com medo da doença, mas com medo de sua perda de autoridade e credibilidade.

Isso é o fim da submissão e o início da necessidade de parceria e relações humanas de confiança, comunicação transparente e coragem.

Mas como isso pode funcionar? Nunca acreditaram em liderar com as pessoas, em dar um voto de confiança, em mostrar sua vulnerabilidade e parceria, em trabalhar lado a lado e “deixar ir” permitir errar, orientar e celebrar ao acertar. Simplesmente, não sabem fazer. Simplesmente não querem tentar.

Não, isso não vai dar certo. Esses gestores precisam dos seus subordinados por perto, para quando as coisas não funcionarem, poder bater na mesa e mostrar quem manda. Isso sim é conduzir uma equipe produtiva, onde todos trabalham sem ultrapassar limites, produzem sem parar e morrem por dentro a cada dia sem nem ter sido diagnosticados.

Vamos Covid, passe logo! Para que as sequelas na mente desses gestores não sejam irreversíveis, caso contrário, terão que rever seus conceitos tão arraigados quanto ultrapassados. Passe logo e vamos ter fé de que ao menos alguns desses gestores não sobrevivam e a quarentena seja tempo suficiente para que a liderança verdadeira volte a respirar sem aparelhos.

Vamos ter fé de que não todos os casos serão curados, mas que alguns aproveitarão esse momento para se reinventar. Por certo, suas equipes, irão para as janelas bater palmas, aliviadas.
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