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  • Cristina Porto

Desaprendemos a nos comunicar.


Ano 2020 e não aprendemos a nos comunicar. Não aprendemos o básico da comunicação. Esquecemos de colocar respeito e empatia quando comunicamos. Esquecemos que para ter credibilidade e eco, mais importante do que o que dizemos é a forma como dizemos. Estamos em 2020, no mundo contemporâneo e “evoluído” e perdemos a habilidade de nos comunicarmos da forma adequada porque estamos repletos de arrogância e certezas. Sabemos de tudo e sobre tudo e, por consequência, apenas falamos. Nada ouvimos. E se ouvimos, rebatemos.

Estamos em 2020 e nossa arrogância não nos permite ouvir outra opinião, pensar sobre ela, complementar e argumentar com elegância e educação. Por que todo esse trabalho? Hoje temos a facilidade de deletar pessoas de nossas vidas. Se não pensam como nós, não são boas o suficiente para compartilhar de nossas reflexões. Mas que aprendizado vamos levar dessa vida se nos fecharmos para a possibilidade de aprender com a opinião dos outros e não nos permitirmos mudar de ideia? Que evolução teremos em nossas vidas se temos todas as certezas, se sabemos de tudo?

Receio por aqueles que tem todas as respostas e que tem tantas certezas. Receio pelas pessoas que jamais se permitem calar ao invés de falar e por aqueles que acreditam que se encherem o ar de suas explicações e argumentos e as redes sociais com seus “textões” estarão convencendo e arrebanhando seguidores. Não estamos nos comunicando bem porque não temos humildade e não entendemos que os diálogos, muitas vezes, não são para convencer alguém mas para sermos convencidos e outras tantas, para cada um seguir com seu ponto de vista e, está tudo bem, pois as diferenças é que dão sabor à vida.

É 2020 e todos estão repletos de direitos, incluindo o direito de dizer o que quiser, a hora que bem entender, do jeito que achar melhor para aliviar suas raivas e angústias. Basta dizer “Eu sou assim: direto, autêntico”. Ah, como não aprendemos nada sobre nos comunicarmos bem. Isso não é autenticidade, é falta de educação, grosseria, incapacidade de viver em sociedade. Chame de qualquer coisa, menos autenticidade. Comunicar com autenticidade é ser transparente, verdadeiro, legítimo e, com respeito, apresentar seus argumentos. Uma comunicação produtiva e adequada prevê direitos e deveres e vivemos em mundo onde todos querem apenas seus direitos.

Estamos mesmo em 2020? Então por que razão não estamos falando sobre desafios inteligentes e formas de viver melhor? Estamos falando de como as redes sociais são espaços terríveis e como todos estão intransigentes por lá. Eu busco entender essas afirmações e confesso que não consigo. Qual o problema das redes sociais? Elas são apenas um canal como foi o telefone, a televisão, o fax, etc. Nós colocamos conteúdo lá, nós emitimos as mensagens, nós comunicamos. A diferença é a abrangência e a velocidade, mas os emissores e receptores que se comunicam nesses canais, somos nós, os “humanos”.

Estamos apagando de nossas vidas ingredientes como humildade, humanidade, respeito, cordialidade, elegância, educação. Temos nos colocado no centro do mundo e colocado o mundo a mercê de nossas convicções. E, nossa comunicação é o reflexo desses comportamentos e crenças. Aumentamos a voz, escrevemos em maiúsculo, usamos muitos pontos de exclamação. E nossa única interrogação é para perguntas como “Sabe com quem está falando?” ou “Quem você pensa que é?”.

2020... estamos desaprendendo a nos comunicar... E, não leia essa frase com tom de agressividade, leia essa frase com tom de reflexão... Com o uso de uma série de reticências e aspas, que deixam uma lacuna silenciosa de incertezas sobre a nossa “evolução” como seres “humanos”...
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