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  • Cristina Porto

Conteúdo ou Performance?



Estava lendo as publicações das redes sociais e me deparei com um questionamento do renomado palestrante Claudemir Oliveira. Participei da enquete com meu posicionamento, mas desde aquele dia fiquei refletindo sobre o tema. De uma forma simplificada a questão era: para um palestrante é mais importante o conteúdo ou a performance?


Sendo minha profissão ligada à educação e, por consequência, à comunicação, desde o tempo em que fiz magistério, sempre tive essa questão em mente quando me preparava para encontrar um grupo ou quando me sentava como parte de uma plateia.

Penso que comunicar é um dom. E é para poucos.

Quando você se dispõe a estar frente a um grupo de pessoas, seja ele qual for, do tamanho que for, acredito que existem algumas coisas que são fundamentais.

Primeiro, prepare-se. Ou seja, entenda do que vai falar. Mas entenda bem e muito. Leia, estude, atualize-se e tenha certeza de que está levando seu melhor. Então, a resposta para a questão lá do início é: não, conteúdo não é importante. É imprescindível. A pergunta não é conteúdo ou performance. A resposta é conteúdo é a base. É como o C do CHA (Conhecimento, Habilidade, Atitude). O conteúdo é a matéria-prima do seu trabalho.

Segundo. Prepare o que vai falar. Organize as ideias de uma forma que aqueles que estão ouvindo tenham a sensação de que é fácil. Você está ali como facilitador do assunto e não para dificultar e parecer uma mente brilhante e todos ficarem olhando seus gráficos confusos e pensarem “bah, ele é f...” E saírem sem entender nada. Bem, a não ser que você esteja apresentando algo que se aproxime a Stephen Hawking, prefira deixar seus ouvintes encantados por sua facilidade e simplicidade em comunicar.

Terceiro, customize. Tenha empatia. Conheça as pessoas para quem vai falar, o tipo de público e o evento, o que buscam ouvir. Pacotes prontos, as mesmas frases, piadas repetidas e as histórias de vida que fazem chorar não são bem digeridas por todos os públicos e, muitas vezes, podem causar um efeito contrário.

E, ainda com tudo isso tem a sua “performance”. Costumo dizer que depois de falar em público tenho a sensação de ter feito academia pois me sinto “exausta” e ao mesmo tempo – na maioria das vezes – leve, feliz e “querendo mais”. Sei que depositei toda minha energia e concentração naquele momento. Antes de começar, sempre fico ansiosa e isso é bom pois me ajuda a ficar alerta e tentar fazer melhor a cada nova experiência.

O mais importante quando estou com um grupo são dois pontos: olhar nos olhos e improvisar. Não consigo – e nem quero - usar a técnica de fixar em um ponto no infinito, na luz, no fotógrafo, na flor ou sei lá o que mais. Gosto de olhar nos olhos de quem e com quem estou falando, perceber suas reações e tentar mudar “o rumo da prosa” se sentir que é necessário. E por isso mesmo o segundo ponto: improvisar.

Veja se entende esse paradoxo, me dedico muito ao planejamento e preparação das minhas apresentações, a tal ponto que tenho tanta certeza do que estou fazendo que me dou ao direito de improvisar. O improviso é a customização, é aquele momento que você resgata a atenção das pessoas que estavam perdidas. É o momento que você tira a plateia de uma posição passiva e faz com que sua concentração fique mais aguçada.

Fácil? Na teoria, bem fácil. Na prática, requer um pouco de prática e muito dom. Ensinar, facilitar e comunicar é estabelecer um vínculo com as pessoas, uma conexão – e isso não significa que seu público precisa chorar – conexões se estabelecem com risadas, respeito, reflexão e até mesmo com o silêncio dos participantes.

Então, não consigo responder qual é mais importante... Conteúdo é sua matéria-prima e performance a incrível habilidade de transformar.
E você o que acha?
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